terça-feira, 19 de julho de 2011




MÃE, NÃO QUERO SER PUTA!!!

Minhas primeiras lembranças sobre o rótulo de puta remetem ainda aos anos de escola, época em que minhas preocupações mais latentes giravam em torno de dilemas complexos do tipo “com-quem-vou-sentar-junto-no-ônibus-da-excursão?”. Eu nem pensava em beijar meninos – fato que ocorreu uns bons cinco anos depois –, mas os assuntos nas rodinhas entre uma explicação de matemática e a conjugação do eterno verbo to be já apontavam para ela, a galinha da sala.

Lembro me que não entendia muito bem qual a relação entre uma galinha e o fato de uma menina ter beijado alguns meninos na boca, mas logo fui apresentada à definição que não consta noAurélio:

Galinha s.f.

Menina amiga de muitos meninos que comete o ultraje de ficar com dois garotos do mesmo grupinho e que, segundo as más línguas, permite a um ou mais deles passar a mão nas proximidades dos seus peitinhos que começam a brotar tais quais pequenas laranjinhas.

Seu nome era Gabriela. Eu gostava dela. Não me interessava muito o que ela fazia fora dali – mas o rótulo de “galinha” assumiu sua antiga identidade. Antes que eu me desse conta, me peguei também olhando-a e imaginando como conseguia ser tão lasciva. Por causa de sua nova identidade, Gabriela foi excluída das rodas das meninas e os meninos cada vez se aproximavam, sempre com as mesmas brincadeiras cheias de duplo sentido. A partir daí, concluí que não queria ser uma puta.

Pernas cruzadas

O fantasma da puta me assombrou durante toda a adolescência. O mesmo acontecia com minhas amigas. Ninguém queria ser vista como fácil e a regra era: mesmo se estiver com vontade, cruze as pernas. Ficar com dois meninos da sala, jamais! Da escola, só se ninguém mais soubesse. As mãos mal-intencionadas dos meninos com hormônios explodindo tinham que ficar longe das nossas bundas e de nossos projetos de peito. Eram as regras básicas.

Fui crescendo e, apesar das regras terem evoluído, ainda via o fantasma da puta assombrando minha vida e a vida das mulheres ao meu redor. Agora o papo era outro e envolvia questões do tipo: “se estiver com vontade de dar no primeiro encontro, vá embora e bata uma sozinha em casa”, “se gostou muito, não ligue”, “não fique com mais de um cara no trabalho”, “sexo anal desmoraliza a mulher”, “ser safada na cama assusta os homens”. Se ele sumia do mapa, sempre tinha a amiga pra dizer:

— Não disse? Você foi fácil demais.

Quem ditava as regras eu não sei dizer, mas elas existiam como parte de um manual invisível para não se tornar “mal-falada”.

Quando comecei a questionar o que queria da vida, me toquei que as regras do tal manual invisível não passavam de balela. Mas constatei que ele fez parte da minha adolescência e ditou, de certa forma, minha forma de me relacionar com os homens.

Um puta peso de puta

Conversando sobre esse assunto com uma amiga, escutei-a confessar, cheia de remorso, sobre o dia em que, durante uma festa, deu para um cara de quem nem sabia o nome. Foi, usando suas próprias palavras, a melhor foda de sua vida. Mas depois ficou sabendo que o cara espalhou para os amigos que tinha transado com ela na lavanderia da casa. Eis que o fantasma da puta novamente entrou em cena: escutei-a dizer – podendo jurar que via um princípio de lágrima querendo brotar nos seus olhos – que se arrependeu horrores de ter sido tão puta naquele dia, que não queria se sentir assim nunca mais na vida.

Fiquei me perguntando qual a fonte do arrependimento dela – porque se o sexo tinha sido bom e se ela tinha sentido prazer, o sofrimento pós-foda não poderia ter vindo de motivações pessoais. E aí entendi o peso que o rótulo da puta exerceu sobre a vida de nós todas, reprimindo vontades e não nos permitindo ser quem realmente éramos.

Hoje, posso dizer que esse fantasma não me assombra mais. Basta refletir um pouco para perceber que não há nada negativo em gostar de sexo, querer ter experiências com várias pessoas e se permitir transar da forma que o corpo pede. Hoje, sinto pena pelos desejos reprimidos e por todos os gozos que ainda virão a ser censurados. Deixar que a puta que existe dentro de nós assuma o controle de vez em quando é necessário – e delicioso. Como sabiamente já dizia Caio Fernando Abreu, “um dia de monja, um dia de puta”.

por
em
17/07/2011
www.papodehomem.com.br


segunda-feira, 18 de julho de 2011


EU ESTOU EXATAMENTE ONDE EU QUERIA ESTAR!



BOOMERANG BLUES - RENATO RUSSO

Tudo o que você faz
Um dia volta pra você
Tudo o que você faz
Um dia volta pra você
E se você fizer o mal
Com o mal mais tarde você vai ter de viver

Não me entregue o seu ódio
Sua crise existencial
Preliminares não me atingem
O que interessa é o final
E não me venha com problemas
Sinta sozinho o seu mal

Por que tentar sentir demais?
E você só me usou
Eu tentava ajudar
E você só me queimou
Mas é errando que se aprende
Minha boa vontade se esgotou

Os aborígines na Austrália
Com o boomerang vão caçar
O boomerang vai e volta
E só fica quando consegue acertar
E eu sou como um boomerang
Quando eu acerto é pra matar

Como um boomerang tudo vai voltar
E a ferida que você me fez é em você que vai sangrar
Eu tenho cicatrizes
Mas eu não me importo não
Melhor do que a sua ferida aberta
E o sangue ruim do seu coração

Eu só não entendo como fui cair
Dentro da sua teia e não tentei fugir
Me sinto mal lembrando o que aconteceu
Você tentou roubar,
Mas o boomerang agora é meu.

terça-feira, 30 de novembro de 2010


"A verdade é que me enchi. De você, de nós, da nossa situação sem pé nem cabeça... Eu, nessa constante agonia o tempo todo imaginando como você vai estar. E você, numas horas doce, noutras me tratando como lixo. Não sou lixo! ... Assim, chega! ... Chega de climas, de choros, de silêncios abismais... Sinceramente, abro mão."

(Fernanda Young)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Ela sempre esteve lá!

Ela está lá todo dia. É daquelas que maquia bem, suas roupas são impecáveis e seu perfume é inesquecível – apesar de já terem dito que nunca a viram tão bonita quanto naquele sábado que ela passou o dia de pijama e com o cabelo preso. É inteligente, escreve como ninguém, trabalha, estuda, sai com as amigas e ainda arranja tempo para ir na manicure toda semana. Ela adora gastronomia contemporânea e medieval mas não dispensa uma miojo em noites preguiçosas ou um McDonalds depois da balada. Diz as frases certas e sorri quando gostaria de gritar. Adora crianças e cachorros, quer casar, ter filhos e já pensou em como seria usar seu sobrenome. Mas não se preocupe, ela sabe melhor do que ninguém o tempo de cada coisa.

Ela é daquele tipinho, sabe? Que gosta de dançar, gosta de beber, gosta de viver. Sabe quando parar mas não para até ELA desejar. Ela manda na sua própria vida mas deixa você escolher o cardápio do dia. Quando você diz que não gostou da roupa dela, ela lamenta e vai assim mesmo. Sua opinião, suas escolhas, seu jeito – não tente mudar. Sabe fazer lasanha, ponto-cruz e dengo. Alguns dias prefere champagne e música alta, outros prefere pizza e cobertor. Ela é uma surpresa, ela adora surpresas. É o tipo que diz preferir dar presentes do que receber, mas seu coração sempre se derrete com aquele laço vermelho na sacola da sua loja predileta. Adora jóias mas dá um imenso valor pra aquela flor que você fez com o guardanapo do restaurante ou aquela rosa que você comprou do tiozinho enquanto ela ia ao banheiro.

Todo mundo nota que ela é especial. Ele não nota, ele nunca notou. Ela sempre esteve lá. Mas até quando?

Aquela festa que você deixou de ir porque estava com sono, aquela mesma. Lá estava os amigos que você deixou de fazer, as oportunidades que você deixou passar, uma partezinha da sua vida que você perdeu. Aquela aula do último período que você deixou de matar, aquele café que você deixou de ir tomar com sua amiga de anos, aquele sushi que você negou porque “mal conhecia ele!”. Acorde. A vida passa, as pessoas passam, você passa. Não quer deixar suas marcas?

A vida muda quando você deixa de ir para a direita e vai para a esquerda. E se você tivesse mudado o curso? Desistido do caminho? Voltado para casa? E se? Você nunca saberá. Mas uma coisa é certa: Nunca deixe passar oportunidades. Você sente quando elas existem, no fundo você sempre soube.

Acordar sozinha é melhor do que acordar mal acompanhada? Se é pra sair com frio é melhor ficar em casa? Se é pra ir em algum lugar sem ele, você prefere não ir? Nada sem ele tem graça? REALMENTE, mude de vida. Ou melhor, mude de nome – porque isso é muito constrangedor. Sua vida social se resume em encontros com seu namorado e 1 vez por mês com suas amigas? Você é solteira e vai pra balada 3 vezes ao ano? Não quer conhecer ninguém diferente dos seus parâmetros porque você esta esperando o príncipe encantado? Lamentável.

Com isso você deixa passar pessoas interessantes, amigos inseparáveis, experiências, histórias, risos, tombos, conversas sinceras na madrugada, abraços honestos, confissões, vodka e pizza fria de café da manhã, banhos de mar a luz da lua, beijos descompromissados e inesquecíveis. A vida não precisa de um contrato, a vida não precisa ser toda feita de planos e projetos. Não tenha somente planos, tenha histórias. Tenha vida. Tenha emoção.

Olhe para trás. O que você carrega? Se você morresse hoje a vida teria realmente valido a pena? Não? Corra!! Seu caminho tem que ser cheio de perdas, de promessas quebradas, de erros, de fracassos, de micos. As coisas não vão ser perfeitas, não devem ser perfeitas. Perfeitos devem ser os momentos em que perdemos o fôlego, o salto, a dignidade, e a carteira de motorista. Perder para ganhar. Viver para sentir. Ser para ter.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sou muitas mulheres numa só...

Tem a Ana amiga, paciente, carinhosa, que sempre está disponível pros amigos mesmo que esteja mega ocupada. Pros amigos sempre tem tempo! Tenta ajudar, tentar dar conselhos, gosta de ouvir o que os amigos têm a dizer por mais bobo que possa ser. A Ana amiga é aquela que se for necessário pega o carro e sai mesmo de madrugada pra consolar um amigo(a). Que tenta agradar até num poder mais.

Tem a Ana inimiga, que num move uma poeira se quer pra ajudar alguém que num mereça sua ajuda. Que nem se importa se a pessoa está gostando ou não. Consegue ser tão insuportável quanto se pode imaginar. Sabe ignorar como ninguém.

Tem a Ana paciente, que nos momentos em que se espera que ela exploda, ela simplesmente senta e espera a poeira baixar. Respira uma, duas, dez mil vezes, segue calada por mais um tempo, levanta e sai como se nada tivesse acontecido.

Tem a Ana barraqueira, a maioria das pessoas temem essa Ana, mas confesso que é justamente na hora do barraco que ela solta as melhores pérolas. Mas quando ta puta sai de baixo porque o tempo fecha feiooo. Ela sempre tem vontade de bater, espancar... mas ainda bem que vontade dá e passa. Ufa...

Tem a Ana do riso frouxo, ri até do que não tem graça, ri nas horas que não devia rir. Sabe aquele momento de silêncio que todos querem rir e num podem? Ela ri e ri alto!!! Maluca, descompensada hahahahaha.

Tem a Ana chorona, essa aí poucos conhecem. Mas quem conhece sabe bem como ela chora fácil e por tudo. Pela sua própria dor, pela dor dos outros. Até por saber que umas amigas tão indo pra outra faculdade ela chora. Chora com propaganda da Pedigree!!! Mas quer ver mesmo ela chorar? Cometa injustiça, maltrate um animal, maltrate um idoso, ou só coloque um DVD do ER ou Grey´s Anatomy... é suficiente.

Ainda tem tantas Anas que teria que escrever um livro... mas o que é comum a todas elas é sua honestidade inegável. Ela é o que é, num faz tipinho pra ninguém, na maioria das vezes escolhe lados, porque simplesmente num consegue ficar em cima do muro, não sou equilibrista ora!!!

by ACT, 07/08/10 - 00h28min